domingo, 27 de maio de 2007

Maysa, no jornal Opção (GO)


EULER DE FRANÇA BELÉM

Depois de Francisco de Assis Barbosa, o grande biógrafo de Lima Barreto, surgiram dois biógrafos não-acadêmicos muito bons, Fernando Morais, autor de Olga (Olga Benario) e Chatô (Assis Chateaubriand), e Ruy Castro, autor de O Anjo Pornográfico (Nelson Rodrigues) e Carmen (Carmen Miranda). Agora, surge outro biógrafo notável, Lira Neto, que estudou a vida do militar Castello Branco, do escritor José de Alencar e da cantora Maysa.

Maysa — Só Numa Multidão de Amores (Editora Globo, 393 páginas) é um estudo rigoroso da vida da cantora e, também, de sua época. Sobretudo, é um texto escrito com extrema leveza e prazer a respeito de um ser humano luminoso e, ao mesmo tempo, sombrio. O título sintetiza com mestria a vida afetiva de Maysa. Um dos méritos do livro é que Lira Neto, ao apresentar os problemas de Maysa (junção de Maria com Luysa), como o alcoolismo, além dos vários namorados, não o faz para diminuí-la, ou, mesmo, firmá-la como revolucionária, embora diga, com justiça, que era uma “mulher incomum”.

Como é vista como “deusa da fossa”, poucos se dão conta que Maysa foi uma das primeiras cantoras a gravar os compositores da Bossa Nova (ou Fossa Nova). O livro faz o registro detalhado da modernidade de Maysa, de como a cantora era sintonizada com as mudanças musicais, sem perder contato com tradição, fazendo o novo dialogar com o velho, e, ao mesmo tempo, em termos de comportamento, estava sempre um passo adiante de seu tempo.

Jornal Opção, Goiânia, 27 de maio de 2007