segunda-feira, 21 de maio de 2007

Maysa, por Mauro Ferreira

Lira Neto capta e retrata a gangorra emocional da biografada. E ter o aval dos herdeiros de Maysa, com acesso irrestrito aos diários da artista, não deixou o livro com caráter chapa-branca. Ao contrário. Maysa é retratada com intensidade isenta nas páginas da biografia. Sem julgamentos. Sem tentativas de maquiar o temperamento tão sensível quanto sombrio da artista. Se sofreu, e muito, Maysa também fez sofrer.

O acesso aos escritos mais íntimos da biografada dá conseqüente atestado de veracidade aos fatos revividos. Neto escreve sob os estados d'alma de Maysa com a autoridade de quem não precisou recorrer somente a terceiros. É a própria Maysa que, volta e meia, toma conta da envolvente narrativa na primeira pessoa através da reprodução de trechos de seus diários e de uma autobiografia que nunca saiu do papel.

(Do blog Notas Musicais, do crítico Mauro Ferreira)