sexta-feira, 29 de junho de 2007

Maysa, no Diário do Nordeste



Aqueles olhos verdes

HENRIQUE NUNES

Ela era o cão. Não, uma deusa. Bonita, charmosa, uma doida que trocara a vida de madame pela trajetória artística. Uma morena de uns endoidecedores olhos verdes que até tentava, e muito, mas não deixava o “birinight” por nada. E não é que o diabo da mulher cantava na mesma proporção com que ganhava ou perdia os seus litros? A trajetória de Maysa, narrada pelo jornalista e escritor cearense Lira Neto, percorre um verdadeiro mito da música.

Mergulhar na vida de Maysa foi mais denso do que nas de Rodolfo Teófilo, José de Alencar e Castello Branco? Por que você escolheu essas personagens?

Cada biografado, assim como cada ser humano, tem sua complexidade própria. Há pelo menos uma coisa em comum entre Rodolfo, Castello, Alencar e Maysa: todos foram indivíduos contraditórios, ambíguos, polêmicos. Escolho meus personagens entre aqueles que não tiveram existências em linha reta. Só as almas radicais me encantam e me seduzem.

Sua identificação com a literatura e a política já são conhecidas, mas, e a música? Foi um desafio maior envolver-se com esse universo? Há uma fase que mais lhe atrai na obra dela?

Sempre fui um ouvinte viciado em MPB. Mais cedo ou mais tarde, bateria na porta da música. Para mim, foi um prazer mergulhar na trajetória de Maysa e no universo musical brasileiro das décadas de 50, 60 e 70. Maysa viveu várias fases. Em todas elas, deixou sua marca. Ela fez uma ponte entre a Era do Rádio e o sopro renovador que marcou o cenário artístico brasileiro dos anos 60. Cantava com alma, com o coração, com as vísceras.

Com autorização direta do filho de Maysa, Jayme Monjardim, você teve acesso até ao esboço de autobiografia dela, entre milhares de documentos. Quais foram as maiores dificuldades em lidar com tanto material? No que as suas experiências anteriores no gênero contribuíram mais para esse processo?

O maior problema, desta vez, foi exatamente a grande quantidade de material. Com cerca de 100 mil documentos à minha disposição, vindos diretamente dos “baús” de Maysa, o processo de seleção teve que ser ainda mais rigoroso. A cada livro, a gente ganha mais experiência e mais domínio sobre o ofício. Mas invadir os desvãos da alma de um novo biografado é sempre uma aventura única, singular.

Diário do Nordeste, 19 de junho de 2007

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