segunda-feira, 4 de junho de 2007

Maysa, no Diário do Nordeste





Uma boca e dois oceanos não-pacíficos

A partir de uma linguagem precisa, marcada por frases curtas, em períodos também curtos, o autor traça o perfil de uma das mais populares cantoras do Brasil que, principalmente nos anos 1960, reinou sozinha como uma de nossas vozes mais estonteantes.

CARLOS AUGUSTO VIANA

Utilizando a técnica do corte, através da qual alterna os episódios no tempo, num fluxo e refluxo, Lira Neto reconstrói a figura de uma mulher que encantou uma época e, ironicamente, sofreu desencantos e desencontros. O grande mérito do autor é o de nos pôr diante de uma mulher de carne e osso. Pelas linhas do livro, palmilha uma mulher viva, nem boa, nem má, tão-somente contraditória. Um ser absolutamente passional, para quem amor e loucura se entrelaçavam. Devorara garrafas de bebida, escrevia um quase sempre doloroso diário, alternava momentos de reclusão e boêmia, tédio e euforia, como se abrigasse em si o espírito romântico. O subtítulo do livro resume, de modo incisivo, o percurso de Maysa: "Só numa multidão de amores". Num mundo tão fascinado pelo novo, reencontrar o passado, pois toda uma época foi reconstruída, é, sobretudo, um alimento.

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