sábado, 19 de dezembro de 2009

Ouça entrevista à Rádio Cultura


O programa Galeria, apresentado diariamente pela Rádio Cultura Brasil, de São Paulo, entrevistou-me na quarta-feira, 16 de dezembro, sobre Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão.

A íntegra da conversa está disponível no site da emissora. Para ouvir, clique aqui.

Leia a íntegra do chat no Terra


Na quarta-feira passada, 16 de dezembro, participei de um bate-papo virtual com os internautas do portal Terra. O assunto foi a biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão.

Para ler a íntegra da conversa, clique aqui.

O Globo: "Em ritmo de thriller"


"A biografia [Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão] surpreende também por mostrar, em ritmo de thriller, o mistério que envolve os milagres de Juazeiro atribuídos a Cícero e à beata Maria de Araújo, que transformava em sangue a hóstia recebida em comunhão das mãos do padre."

(O Globo, edição de 19 de dezembro de 2009. Leia aqui)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Site da editora traz trechos e fotos



No site da Companhia das Letras é possível ler um trecho e ver várias fotos da biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão.

Para acessar, clique aqui.

Padre Cícero na Playboy


"Apoiado em extensa pesquisa, Lira Neto conta a história do padre Cícero Romão Batista (1844-1934), um dos mais influentes personagens da história do país".
Cotação: Muito Bom
(Playboy, edição de dezembro)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Terceira semana no ranking da Veja



A biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão aparece pela terceira semana consecutiva na lista estendida dos livros mais vendidos no país, segundo a Veja.

JB: "Texto fluente e bem cuidado"



Leia trecho da matéria publicada no caderno "Idéias e Livros" do Jornal do Brasil:

"A biografia Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão, escrita pelo jornalista Lira Neto – uma estudada narrativa em mais de 500 páginas – só se tornou possível graças a dois anos de pesquisa, incluindo a consulta a mais de 900 cartas e telegramas, arquivos da Cúria do Crato e documentos secretos do Vaticano e do Santo Ofício. Lira Neto – também biógrafo da cantora Maysa, do escritor José de Alencar e do general-presidente Castello Branco – soube utilizar o material inédito para sintetizar, em texto fluente e bem cuidado, as múltiplas dimensões do beato sertanejo: padre rebelde e devoto caboclo, político astuto e líder gentil, persuasivo e influenciável; missionário, romeiro e santo."

"O livro vem a público em meio ao processo de reabilitação do personagem pela Igreja Católica, e não é indiferente a isso. Dividido em duas partes – 'A cruz' e 'A espada' – contextualiza no prólogo e epílogo a história recente do religioso, tido por dom Fernando Panico, atual bispo do Crato, como 'um antivírus contra o avanço das seitas evangélicas'. Para o papa Bento XVI, que ordenou a revisão do processo do Santo Ofício (atual Congregação para a Doutrina da Fé, comandada até 2005 pelo então cardeal Joseph Ratzinger) contra padre Cícero, o estímulo às romarias é parte importante da estratégia da Igreja no Brasil."

"Situado em posição privilegiada para colaborar com a possível canonização de Cícero, Lira Neto preferiu fazer bom jornalismo."

Para acessar a matéria na íntegra, clique aqui.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Daniel Piza comenta biografia



Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão é o "livro da semana" no comentário do jornalista Daniel Piza. Ouça podcast aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Livro ajuda ou atrapalha reabilitação?

Leia a opinião de dom Fernando Panico, bispo do Crato, a respeito da repercussão da biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão para o processo de reabilitação canônica de Cícero Romão Batista:


Ajudará? Atrapalhará?

DOM FERNANDO PANICO
Bispo do Crato

Mais um novo livro sobre Padre Cícero estava sendo escrito. Que surpresas ele nos reservaria?

O advento de algo novo sobre Padre Cícero, pela experiência já vivida por este povo do Nordeste do Brasil, a quem me compete cuidar como Pastor, confesso, me deixava apreensivo.

Ainda mais quando foi o próprio Departamento Histórico da Diocese que disponibilizou todos os documentos ao escritor. Ainda mais quando sabemos que estes mesmos documentos já foram causa de muita polêmica, de muita leitura e escritura manipulada, de muito jogo de poder, de muita disputa pelo monopólio da verdade... como se a verdade pudesse ser monopolizada por alguém ou por um grupo.

O nosso desejo era, a nossa ansiedade era para que, em mais uma nova obra, pudéssemos descortinar mais um pedacinho da verdade... desvelar, mais um pouco, o que estava escondido... iluminar mais ainda esta nossa realidade de uma riqueza sem fim, mas muito complexa, intrincada, cujo emaranhado poderia levar para caminhos assustadores; uma realidade arrebatadora, mas delicada pois, em última análise estamos tecendo a fina renda do que foi a história de fé de um povo que lutou, e luta ainda hoje para, com a liberdade de filhos de Deus, visitar a Mãe das Dores e o Padrinho Cícero, no lugar sagrado: Juazeiro do Norte. No lugar que Jesus mesmo disse a Maria de Araújo, que queria que fosse um lugar de salvação para as almas. E é.

Que história este escritor escreveria? Como ele utilizaria os documentos? Um jornalista agnóstico.... que compromisso ele poderia ter com um assunto eminentemente religioso? Com um padre? Com os romeiros?

Essas perguntas afligiam meu coração de Bispo. Também porque este livro, publicado por uma grande editora, poderia ter repercussão na Santa Sé onde se processa o pedido de reabilitação do Padre Cícero? Ajudaria? Atrapalharia?

As entrevistas dadas pelo jornalista antes do lançamento do livro não eram muito animadoras para meu coração. Dizia ele que sua intenção era escrever um retrato de um homem, nem santo, nem impostor... tanto que, originalmente, o livro deveria se chamar apenas “Cícero”. Que outros muitos conflitos, dentro e fora da Igreja, este livro causaria?

Já comecei a ler o livro e com muito interesse. A leitura é mesmo envolvente: a linguagem agradável, clara e me parece que faz bom uso da documentação. O meu tempo é que não é amigo e não me deixa ficar em companhia do livro o quanto eu gostaria.

Efetivamente estou tranquilo, pelo que li até agora, que o compromisso e a responsabilidade do autor são confiáveis. Mais do que isso, como jornalista sério, me parece que procura mostrar os dois lados da moeda. Não esconde o que (mesmo com o perigo de sermos anacrônicos) aos nossos olhos hoje poderia ser avaliado como um comportamento desabonador e, na mesma pessoa, mesmo que seja ou Padre Cícero ou Dom Joaquim, o lado bom do personagem.

Como eu dizia, numa história complexa com é a nossa em Juazeiro, é muito importante a preocupação de não fazer uma leitura unidimensional dos fatos, mas tridimensional ou até mesmo, holográfica. Isso se pode perceber.

Alguém me dizia: “quando eu lia o livro, parece que ouvi, em alguns momentos, o grito enraivecido de Dom Joaquim.” O fato de o autor ser agnóstico não o impede de relatar os fatos religiosos com acuidade e verdade. Não percebi, até agora, interpretações tendenciosas ou ideológicas. É mesmo um contador de história. Um bom contador de uma boa história.

* Texto originalmente lido por dom Fernando Panico durante o lançamento da biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão em Juazeiro do Norte, em 2 de dezembro, no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Biografia sobe três posições



A biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão subiu três posições na lista estendida dos livros mais vendidos no país, na categoria não-ficção, segundo a Veja. Na semana passada, estava em 15º lugar. Agora, aparece em 12º.

Diário Catarinense: "Perfil fascinante"

"Se a história transformou o Padre Cícero em mito, o jornalista Lira Neto tratou de trazê-lo de volta ao mundo dos homens com a recém-lançada biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão"

"Ao final de uma década de pesquisas esparsas e dedicação total ao tema nos últimos dois anos e meio, o autor – que se consolida como um dos principais biógrafos do país – oferece um perfil fascinante do contraditório Cícero."

Leia matéria completa clicando aqui.

O Povo: "Entre crenças e polêmicas"



"Para decifrar as ambivalências e contradições da personalidade de Cícero Romão Batista, Lira Neto recorreu a uma série de documentos inéditos."

Leia a matéria completa publicada pelo jornal O Povo, de Fortaleza (CE), clicando aqui.

DN: "Padre Cícero reabilitado"



"O jornalista cearense Lira Neto mergulha no universo de um dos personagens mais complexos do Nordeste: Padre Cícero Romão Batista".

Leia matéria completa publicada na edição de 8 de dezembro de 2009 no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza (CE). Clique aqui.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Livro ganha primeira reimpressão



A biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão já ganha a primeira reimpressão. A tiragem inicial, de 20 mil exemplares, precisou ser reforçada com mais outros 10 mil, que chegarão nos próximos dias ao mercado para repor estoques nas livrarias de todo o país. Na noite de lançamento em Recife, a Megastore Saraiva vendeu todos os exemplares disponíveis na loja.

"Minuciosa pesquisa"



"Lira Neto fez uma minuciosa pesquisa a respeito de padre Cícero. Vasculhou acervos, jornais, cartas e ampla bibliografia sobre o religioso que foi acusado de mistificador, aproveitador das crenças do povo, de ser dono de ideias religiosas pouco ortodoxas.

(...)

O estilo de Lira Neto é agradável de ler. Objetivo, o jornalista demonstra uma incrível capacidade de condensação e edição, atendo-se aos momentos mais importantes da querela religiosa de Padre Cícero."

(Texto publicado em 1 de dezembro de 2009 no Jornal do Commercio, de Recife. Assinantes do UOL e do JC podem ler o texto na íntegra aqui.)

domingo, 29 de novembro de 2009

Entrevista à Rádio CBN



"Biografia analisa documentos históricos para contar a controversa história de Padre Cícero".
Ouça entrevista concedida por Lira Neto à Radio CBN, de São Paulo, clicando aqui.

sábado, 28 de novembro de 2009

Diário de Pernambuco: "rigor e estilo"



"Se fosse ficção, a história do Padre Cícero já seria mirabolante. Não sendo, torna-se mais espantosa ainda".

"Lira Neto é o talento da vez na tendência aberta por Fernando Morais e Ruy Castro: a de jornalistas que se dedicam a biografias, produzindo narrativas que aliam rigor investigativo a estilo jornalístico."

(Vandeck Santiago, Diário de Pernambuco, 29 de novembro de 2009)

Para ler matéria completa, clique aqui.

Entre os mais vendidos


Na Veja, a biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão entrou na lista estendida dos livros mais vendidos da semana em todo o país. Para ver a lista completa, clique na imagem abaixo:






sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A biografia do sertão




ALSTIER BASÍLIO
Jornal da Paraíba





Mais do que um fanático ou uma raposa política, padre Cícero “é trezentos, é trezentos e cinquenta”. Trabalhar nas entrelinhas com uma série de subtemas é um dos grandes méritos do escritor e jornalista Lira Neto em sua mais recente biografia Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão (Companhia das Letras, 2009, R$ 49,00, 557 páginas).



Até os 40 anos, Padre Cícero era um simples pároco de aldeia, fadado ao anonimato não fossem os supostos milagres em que a hóstia se tornava em sangue ao ser oficiada a uma beata, Maria de Araújo. É esse episódio que faz de padre Cícero, Padre Cícero. As romarias que se fazem ao Juazeiro fundam uma cidade. Tudo está interligado: a fé, a cidade e a política.


(...)
Padre Cícero é, também, uma biografia de uma parte dessa grande entidade que se chama Sertão e que está em todo canto. Escrito como um roteiro de cinema e com o rigor de quem não se deixa seduzir pelo mito por saber que o fato é tão sedutor quanto.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Novos trechos do podcast


Ouça mais dois trechos do podcast de Lira Neto, autor de Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, no site da Livraria da Folha. Clique aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Biografia vai ao Vaticano e ao cinema


"Em Juazeiro do Norte (CE), é possível comprar nas feiras de rua pequenos bonecos com a imagem do adorado Padre Cícero fabricados na China: eles cantam ao apertar de um botão. Sim, o padre é pop. Mas ainda busca redenção junto à Igreja, 75 anos após sua morte. Cícero foi afastado da hierarquia católica ainda em vida, em 1892, após uma polêmica envolvendo supostos milagres em Juazeiro. A tarefa de reincoporá-lo à tradição acaba de ganhar reforço de uma biografia, Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão (576 págs., 49 reais, Companhia das Letras), escrita pelo jornalista cearense Lira Neto."

Para ler a matéria completa, clique aqui.



"Uma vida marcada por polêmicas"


"Charlatão, maldito, santo, milagreiro, conservador, embusteiro. Ao longo dos anos, adjetivos não faltaram para descrever o caráter de Padre Cícero, um dos mais controversos e famosos personagens do Nordeste brasileiro. Rejeitado pela igreja e idolotrado por fiéis de todo o país, o Padim Ciço teve uma vida marcada por polêmicas, que foi revisitada pelo Jornalista Lira Neto na biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, lançada pela Companhia das Letras."

Para ler a matéria completa, clique aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Anúncio na Folha e em O Globo

Anúncio na Folha e em O Globo




Os jornais Folha de S. Paulo (SP) e O Globo (RJ) trouxeram em suas páginas neste final de semana anúncios da biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão. A criação é da Almap/BBDO, uma das agências brasileiras mais premiadas no mundo.


Anúncio na Folha e em O Globo

Na lista dos mais vendidos

A biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão encabeça a lista dos mais vendidos da semana na Livraria Cultura. Para ver a lista completa, clique aqui.









domingo, 22 de novembro de 2009

Nem Deus nem Diabo na Terra do Sol




"Uma costura narrativa digna de um esteta, de um escritor que sabe que tem diante de si uma grande história e a conta com requinte, oferecendo ao leitor não só uma biografia, mas um romance, sem ficcionalizar".
(Jornal da Paraíba, 22 de novembro de 2009)

Sem Deus ou Diabo na Terra do Sol

ASTIER BASÍLIO

Na Diocese de Fortaleza, não se falava em outra coisa: o suposto milagre do Juazeiro. Enquanto se discutiam teses teológicas, se evocava São Tomás de Aquino, diligências para se constituir uma comissão que deveria acompanhar in loco os fenômenos. O velho sacerdote francês, Pierre-Auguste Chevalier, espécie de conselheiro espiritual do bispo, emblematizava com uma frase a rota de colisão entre as visões de mundo: “Nosso Senhor não iria deixar a Europa para fazer milagres no Brasil”, dissera em tom de deboche.

O ano era o de 1891. De um lado o catolicismo oficial, representado por Chevalier e pelas potentadas hostes religiosas do Ceará, e o catolismo místico e popular, encarnado na figura franzina, de olhos azuis, do Padre Cícero Romão Batista. Seminarista de desempenho medíocre, pároco de um simplório arruado que, encravado nos confins do Cariri, o futuro Padim Ciço ousou acreditar que Jesus se materializava em carne e sangue no ofício da eucaristia.

Com uma quantidade surpreendente de documentos, lançando mão de 900 correspondências trocadas entre os principais protagonistas desta epopeia de cruz e espada, o jornalista e escritor Lira Neto ao lançar semana passada Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão (Cia. das Letras, R$ 49, 557 págs.), conseguiu uma série de façanhas.

A primeira delas foi a de ser o mais objetivo possível ao biografar um personagem por demais subjetivo e envolto em mistificações em versos de cordel e em prosa, de preferência da tradição oral que multipla os milagres do santo como fizera Jesus com cinco pães e dois peixes.

A segunda, aliar informação, fatos e dados históricos, numa costura narrativa digna de um esteta, de um escritor que sabe que tem diante de si uma grande história e a conta com requinte oferecendo ao leitor não só uma biografia, mas um romance, sem conceder um ficcionalizar ao seu livro; um verdadeiro roteiro de cinema com descrições vivas, personagens complexos.

Não há Deus e nem Há Diabo na Terra do Sol, mas uma história fantástica e um verdadeiro teatro shakesperiano com idas, vindas, disputas de poder, provas de lealdade, amor. Não há simples vítimas e vilões neste tabuleiro.

Em São Paulo, onde mora, Lira Neto atendeu ao telefonema da reportagem do Jornal da Paraíba e conversou sobre a biografia. O escritor revelou que a obra teve os seus direitos vendidos para o cinema. “Antes mesmo do lançamento. Quem vai fazer a direção é o mesmo diretor de Cidade Baixa, Sérgio Machado”.

Durante a conversa, Lira Neto em vários momentos falou sobre o ofício do biógrafo. O escritor acredita que há uma sede pelas grandes narrativas e que o experimentalismo literário tolheu um pouco essa perspectiva. “Eu não descuido, em um minuto sequer, em dar prazer ao leitor. Essa é a minha obsessão”.

Biografia mostra padre Cícero entre dois mundos

Lira Neto divide a biografia Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão em dois livros. “A Cruz” e “A Espada”. É interessante perceber como o Padre Cícero é potencializado em suas faculdades de milagreiro, no primeiro momento, e de político de amplas costuras, no segundo, a partir de personagens coadjuvantes que, de certa forma, o complementam.

É por meio dos êxtases e da transformação da hóstia em sangue por meio da beata Maria de Araújo que o Padre Cícero deixa de ser o mero sacerdote, um anônimo de 40 anos, para dar início ao seu processo de transformação em mito. Os supostos milagres atraem a atenção do mundo para o pequeno Juazeiro.

Por outro lado, o padre vencido pela mão pesada da diocese que o humilhou cercando-lhe de uma série de proibições, condenado pelo Santo Ofício, já sexagenário, ressurge do ostracismo em aliança com Floro Bartolomeu, tornando-se o mais hábil político da região do Cariri e personagem fundamental nas transformações políticas do Estado.

Sobre os dois personagens, Lira Neto observa: “Se cabe a Maria de Araújo esse papel de protagonista adjutória nessa primeira parte, na segunda você tem o Floro Bartolomeu. Ou seja, a primeira parte do livro é marcada pela relação Cícero-Maria de Araújo, na segunda você tem Cícero-Floro, que é decisiva para o rumo que a vida do padre vai tomar”.

Os anos passados no colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras, não foram esquecidos pelo biógrafo que ainda estabeleceu uma forte vinculação do Padre Cícero com outro conhecido religioso da Paraíba, o Padre Ibiapina, de quem o cearense aprendeu muito de sua pastoral centrada em mutirões.

A Igreja não viu com bons olhos o que acontecia no Juazeiro. Mas, ao contrário do que muitos pensam, Padre Cícero, mesmo convicto de que presenciara milagres, não agiu com rebeldia, indo em confronto à Igreja: antes procurava encontrar em suas hostes absolvição e alinhamento. Tanto é que o Padre Cícero, ele próprio, esteve no Vaticano apresentando sua defesa em um processo do qual seria condenado e cujo reestabelecimento tem se dado gradualmente sob o papado de Bento XVI.

“Acho que o Padre Cícero encarna em si esse confronto entre dois mundos. De um lado, o mundo da liturgia oficial, do rito da disciplina clerical. Ele tem essa perspectiva com a qual ele foi adestrado no seminário, sob a obediência ao rito aos superiores. Por outro lado, ele encarta também esse pensamento muito próximo do Sertão. Na verdade, o Cícero, sem querer reduzi-lo a um rótulo, nunca deixou de ser essencialmente um sertanejo. Convivia no mesmo homem essa fé ritualizada, institucionalizada, e esse pensamento mágico, muito próximo do maravilhoso, de uma visão de mundo em que os sinais de Deus e do demônio estavam presentes nas coisas mais cotidianas e mais comezinhas”, acredita.

Para Lira Neto, o Padre Cícero “é a fusão desses dois mundos. Ele é o sincretismo em pessoa. E toda a incompreensão e desinteligência entre ele e a cúpula da Igreja é porque naquele momento específico e histórico a Igreja não estava disposta a dialogar com outro tipo de fé, um tanto quanto anárquica, insubmissa - eu diria até transgressora”.

Ao contrário do que muita gente pensa, o processo e as punições da Igreja não tiveram nada a ver com as aspirações políticas do padre. Quando entrou na política, um então sexagenário sacerdote lutava pela emancipação política do Juazeiro. “Está tudo muito interligado. Sua entrada na política é muito decorrente do seu desejo de se reconciliar com a Igreja, de fazer com que Juazeiro fizesse sede de um bispado”.

O encontro célebre entre Lampião e Padre Cícero é narrado sabendo da contingência mítica de que foi revestido, mas nada de sensacionalismos. Outro momento importante da biografia narra a costura do célebre Pacto dos Coronéis, articulado pelo Padre Cícero. “Ao mesmo tempo em que é uma ação conservadora, de manutenção do status quo, é uma perspectiva de instituir um processo civilizatório. Era uma modernização convervadora. Ou seja, ele tinha consciência que o pacto dos coronéis representava era um avanço em nome do progresso”.

Para o biógrafo, “ao contrário da imagem pública que se procura impingir nele, de rebelde, na verdade, Cícero era um homem muito a favor da legalidade. Até no momento em que ele autoriza - ou se não autoriza pelo menos compactua com - aquela revolução armada, você percebe que a todo instante a perspectiva que o Juazeiro tinha é de que eles estavam ao lado da legalidade”.

Contrariando o faroeste, Lira Neto faz com que o fato seja tão sedutor quanto a lenda.

sábado, 21 de novembro de 2009

Padre Cícero vai à balada literária



A Balada Literária, evento realizado ao longo de toda a semana em São Paulo, tem mesa especial sobre biografia neste domingo, 22 de novembro, às 17 horas, com a presença dos jornalistas e escritores Lira Neto (autor de Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão) e Fernando Morais (Olga, Chatô e O Mago).

O bate-papo, que será gravado e transmitido pelo programa de tevê Jogo de Idéias, terá a mediação de Claudiney Ferreira, também jornalista, coordenador literário do Itaú Cultural. O evento acontece no espaço cultural O_Barco.

Para conferir a programação completa da Balada Literária, clique aqui.

Bispo compra biografia para Papa



Matéria publicada na Folha Online em 18/11/2009: 

Bispo compra biografia de padre Cícero para o papa Bento 16 
  
A cúpula do Vaticano recebe, nos próximos dias, exemplares de Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão.

O bispo de Crato, dom Fernando Panico (CE), comprou cinco cópias, incluindo a sua e do núncio apostólico dom Lorenzo Baldisseri. Os outros três exemplares vão para o Vaticano: um para o papa Bento 16, outro para o cardeal brasileiro dom Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero do Vaticano, e também para o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertoni.

Dom Fernando Panico é um dos entusiastas da ideia de transformar em santo o padre Cícero Romão Batista (1844-1934), excomungado no passado devido a seus relatos de milagres. A biografia de Lira Neto, lançada neste mês, vasculha os arquivos secretos do Vaticano. Ele descobriu a estratégia da Igreja Católica de absolver o padre e colocá-lo na fila rumo a uma beatificação, com a intenção de conter o avanço evangélico no maior país católico do mundo.

Lira Neto contou à Livraria da Folha que escreveu dedicatória em cada um dos livros. A mensagem, escrita em português, para o papa era: "Este livro é uma pesquisa em busca de uma verdade histórica e da justiça".

"Uma monumental biografia"



O Brasil Econômico traz na edição deste sábado, 21 de novembro, matéria de página dupla sobre Padre Cícero.

O jornal publica entrevista com dom Fernando Panico, bispo do Crato, sobre o processo de reabilitação histórica do sacerdote, além de um artigo do jornalista Lira Neto, autor de Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão.

A obra é definida pelo Brasil Econômico como "uma monumental biografia".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Resenha na IstoÉ



"O livro investiga a trajetória do sacerdote e se atém aos menores detalhes de sua formação pessoal, religiosa e política, revelando que Padre Cícero, conhecido como Padim Ciço, um homem criado no seio do Nordeste e educado por padres de formação europeia, sintetiza como poucos o conflito entre o racionalismo e o rigor da época e as manifestações de fé do catolicismo caboclo tão típicas do povo sertanejo."

Para ler o texto completo, clique aqui.

sábado, 14 de novembro de 2009

"Cícero a um passo da absolvição"


Matéria publicada no Portal IG, assinada pelo jornalista Rodrigo de Almeida:

Padre Cícero a um passo da absolvição do Vaticano.

Em Juazeiro do Norte, a 520 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, anualmente quase três milhões de fiéis chegam em massa para reverenciar um padre banido das hostes da Igreja Católica. Para toda essa gente, mesmo considerado oficialmente maldito pelo Vaticano e proibido de entrar nos altares oficiais, o padre Cícero Romão Batista, ou simplesmente Padim Cícero, é um santo milagreiro. Santo e político.

Mais de 70 anos depois de morto, o líder religioso pode ser aceito pelo Vaticano, que graças ao papa Bento XVI tem discutido a reabilitação do padre. Seria o primeiro passo para uma canonização no futuro.

“Existe hoje uma compreensão no alto clero em Roma de que é impossível manter à margem da liturgia oficial milhões e milhões de pessoas que têm padre Cícero como santo, enquanto se assiste ao avanço das igrejas pentecostais”, diz ao iG o jornalista Lira Neto, autor da biografia Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão, lançado pela Companhia das Letras. “Arrisco dizer que a reabilitação é para breve”, opina o jornalista.

Leia texto completo aqui.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cícero: arma contra evangélicos?


Vaticano quer conter evangélicos com Cícero. 

Ouça o novo podcast da Livraria da Folha: documentos obtidos pelo autor da biografia de Padre Cícero mostram que a Igreja Católica deu a largada para reabilitar Cícero, com a intenção de conter a ofensiva evangélica no país.

Para ouvir, clique aqui.

"O padre milagreiro", no O Povo



"Biografia escrita pelo jornalista cearense Lira Neto faz um mergulho nas histórias e polêmicas que cercam a vida de padre Cícero Romão Batista". Matéria publicada na edição de hoje, 12 de novembro, no jornal O Povo, de Fortaleza (CE), assinada pelo jornalista Marcos Sampaio.

Para ler, clique aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cícero era charlatão? Ouça podcast



Matéria publicada no site da Livraria da Folha traz áudio sobre a biografia "Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão", que chega esta semana às livrarias:

Padre Cícero era um charlatão?

SÉRGIO RIPARDO
colaboração para a Livraria da Folha

No livro Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, que chega às livrarias nesta quinta-feira (12), uma pergunta martela a cabeça do leitor: o padre, expulso pela Igreja por seus relatos de milagre, era um charlatão? Podemos colocar no mesmo saco figuras como Cícero, pastores e curandeiros praticantes do charlatanismo? Em podcast, o biógrafo responde que espera despertar mais dúvidas do que convicções no leitor.

Ouça aqui.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Diário do Nordeste destaca livro



O Diário do Nordeste, de Fortaleza (CE), traz na edição de hoje, 10 de novembro, matéria sobre a biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão. "O livro vem cercado por muita expectativa", diz o texto assinado por Anderson Sandes, editor do Caderno 3.

"Vários episódios marcados por elementos fantásticos cercaram a trajetória de Padre Cícero. Entre eles, a célebre oferta da patente de capitão ao cangaceiro Virgulino Ferreira, o Lampião", destaca o DN. "O livro conta esse episódio em detalhes e mostra como o Governo Federal incentivou os líderes locais a cooptarem os cangaceiros para enfrentar a coluna Prestes".

"A ideia da patente a Lampião não saiu da cabeça de Floro Bartolomeu, muito menos da de Padre Cícero. Documentos oficiais revelam que a estratégia foi gestada dentro do Ministério do Exército e do Palácio do Catete", antecipa a matéria.

Para ler o texto do Diário no Nordeste na íntegra, clique aqui.


domingo, 8 de novembro de 2009

Lula e Padre Cícero



Comentário do jornalista Euler da França Belém, no jornal Opção, de Goânia:

"Numa entrevista concedida a Sylvia Colombo, da Folha de S. Paulo, Lira Neto disse que o Padre Cícero 'não era culto, mas lia livros de autores ocultistas. Tinha dificuldade na articulação das ideias e concebia o mundo com simplicidade. Mas era hábil nas relações e, com isso, manteve-se'.

Fiquei com a impressão de que Lira Neto está falando do presidente da República Lula da Silva, talvez o primeiro Padim Cícero político do país, do ponto de vista do sucesso eleitoral."

sábado, 7 de novembro de 2009

No G1: "Santo de casa faz milagre"


"Um dos lançamentos mais aguardados deste final de ano, a biografia Padre Cícero - Poder, fé e guerra no sertão (Companhia das Letras, 576 pgs. R$49), de Lira Neto, chega às livrarias no momento em que tramita na Santa Sé o processo de reabilitação do padre. Nesta entrevista, Lira Neto fala sobre a gênese da obra e comenta as nem sempre amistosas relações entre jornalistas e historiadores no Brasil". (Leia a íntegra da entrevista, concedida ao jornalista e escritor Luciano Trigo, aqui).

Entrevista com Luciano Trigo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Livro vai virar filme



A biografia Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão vai se transformar em filme, pelas mãos de Sérgio Machado, profissional que tem no currículo importantes realizações do cinema brasileiro recente.

Machado dirigiu o longa Cidade Baixa (2005), com Alice Braga, Lázaro Ramos e Wagner Moura no elenco. Em parceria com Karin Ainouz, ele também respondeu pela direção da série Alice, exibida pelo canal HBO.

Sérgio Machado assinou ainda os roteiros dos filmes Madame Satã (2002) e Abril Despedaçado (2001). Foi assistente de direção de Central do Brasil (1998), o grande sucesso de Walter Salles.

Os direitos de adaptação da biografia de Padre Cícero para as telas foram negociados com a RT Features, do produtor Rodrigo Teixeira (O Cheiro do Ralo, 2007). O filme deve ser produzido ao longo de 2010 e tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2011.