segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Uma confissão do biógrafo



O Correio da Bahia, de Salvador, na edição desta segunda-feira, 22 de fevereiro, traz duas páginas sobre a biografia "Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão", com direito a box com Sérgio Machado, o diretor e roteirista que vai adaptar o livro para as telas e que, por sinal, é baiano. "Para um bom filme, você precisa de uma história muito boa ou de um grande personagem. O livro tem os dois", disse Machado ao Correio.

Cabe, aqui, uma confidência de autor. Quando negociei os direitos de adaptação da obra com a produtora RT Features, fiz questão de saber quem seria o responsável pelo roteiro e pela direção. Meu temor inicial era o de que o filme caísse na tentação de folclorizar o personagem e as muitas polêmicas que cercam a história de Padre Cícero.

Afinal, na maioria das vezes, o Nordeste e os nordestinos são retratados de maneira estereotipada pelo cinema e pela televisão. O risco seria, por exemplo, abordar o biografado de forma simplista, caricata, ingênua ou panfletária. Ou, pior ainda, reduzir a complexidade das manifestações do catolicismo popular que gerou a devoção a Padre Cícero a uma comédia ligeira e burlesca.

A escolha do nome de Sérgio Machado, a meu ver, elimina tais perigos. Basta assistir a "Abril Despedaçado" - que ele roteirizou - para se ter a certeza de que Machado não escolherá o caminho mais fácil. Além do mais, ele provou ali que sabe, como poucos, fazer a ponte necessária entre o local e o universal.