sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Diário do Nordeste: "Decifrando Getúlio"



(Por Natercia Rocha) - Diário do Nordeste (CE).

Depois de cinco biografias - O Poder e a Peste: A Vida de Rodolfo Teófilo (1999), Castello-A Marcha para a Ditadura (2004), O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar (2006), Maysa - Só Numa Multidão de Amores (2007) e Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão (2009), o jornalista cearense Lira Neto está preparando seu novo trabalho. Dando continuidade à parceria com a editora Companhia das Letras, o escritor está trabalhando a biografia de um dos mais polêmicos, enigmáticos e controvertidos personagens da história brasileira: Getúlio Vargas.

"Dei início aos trabalhos na semana seguinte depois que entreguei os originais de Padre Cícero para a editora. Naquela ocasião, conversamos a respeito de novos projetos e disse que meu 'sonho de consumo' como escritor era biografar Getúlio Vargas", revela Lira. "Eles toparam na hora. Desde agosto de 2009, ou seja, há pouco mais de um ano, estou mergulhado nesse assunto".

Ainda sem previsão de título para o livro, o autor adianta que a trajetória de vida pessoal e pública de Getúlio Vargas será esquadrinhada em três volumes, cada um com cerca de 500 páginas, a serem lançados com espaçamento de, aproximadamente, um ano entre um e outro. "Não posso adiantar muita coisa, nem de conteúdo, nem de prazos, até porque o cronograma ainda está sendo acertado com a editora. Mas posso dizer que os três volumes darão conta de toda a trajetória de Getúlio Vargas".

Neste primeiro ano de trabalho, a pesquisa que Lira Neto vem desenvolvendo está concentrada na gênese da história do "pai dos pobres". Desde o nascimento, infância e juventude e formação política em São Borja, no Rio Grande do Sul, até sua chegada à presidência da República.

"A longa história de Getúlio Vargas estará condensada em três volumes, mas meu primeiro campo de interesse está focado no momento em que ele entra para a política como deputado estadual, depois deputado federal, governador e ministro do governo Washington Luís", ressalta o escritor.

Documentos inéditos

Apenas na etapa inicial da pesquisa, cinco estados brasileiros já foram percorridos pelo biógrafo em busca de arquivos públicos e privados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Mas o autor adianta que serão vasculhados, também, arquivos internacionais.

"Esse livro, como todos os outros que escrevi, pretende ser apoiado, essencialmente, em fontes primárias. Não é uma simples pesquisa bibliográfica. Queremos trazer à luz uma série de documentos pouco visitados pela historiografia ou, em grande parte, absolutamente inéditos", destaca.

"Em Minas Gerais, estive em Ouro Preto, local de passagem de Getúlio na pré-adolescência, quando estudou lá. Mas é no Rio Grande do Sul, tanto em São Borja, quanto em Porto Alegre, onde está o grosso da primeira fase da pesquisa, a maior parte dos documentos consultados. No Rio de Janeiro, no Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas, estão os arquivos pessoais dele. E em São Paulo as hemerotecas são muito ricas", enfatiza. "Mas não vou me restringir a arquivos somente brasileiros. Pretendo contemplar, e já comecei a fazer isso, arquivos no exterior, especificamente nos Estados Unidos, Itália e Alemanha".

Enquanto avança na pesquisa, o autor se prepara para receber a estatueta do 52º Prêmio Jabuti, por Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão, que ficou em segundo lugar (em empate com Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos, de Frederic Amory. O primeiro lugar foi para Nem Vem que Não Tem - Vida e Veneno de Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre). Outra novidade é que, este ano, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) está com votação aberta para o "Júri Popular", em que internautas elegerão, entre os vencedores de ficção e não-ficção, o "Livro do Ano".

Diário do Nordeste, 15/10/2010