segunda-feira, 7 de maio de 2012

Getúlio, por Sioma Breitman


Durante o tempo em que me dedico a pesquisar a vida de Getúlio Vargas, tenho valorizado sobretudo as fontes primárias. Nesse aspecto, os documentos de época fornecem a coluna vertebral e a musculatura da obra.

No garimpo de fontes, sempre fico atento aos mais variados suportes. De marchinhas de carnaval a inquéritos judiciários, de despachos diplomáticos a santinhos de campanha, de jingles a correspondências privadas, tudo ajuda a contar melhor a história, conferindo-lhe relevo, colorido e conteúdo.

As fotografias, porém, são sempre ricas de significados. O primeiro tomo da trilogia Getúlio trará dois cadernos de imagens. Algumas das fotos são inéditas.

A imagem acima mostra o então presidente estadual (cargo equivalente ao de governador, à época) Getúlio Dornelles Vargas em sua mesa de trabalho. O clique é de autoria de um dos maiores nomes da fotografia brasileira de todos os tempos: Sioma Breitman.

Ucraniano radicado no Rio Grande do Sul, Sioma acompanhou Getúlio Vargas em vários momentos de sua vida. A cada novo encontro com o fotografado, levava no bolso a mesma imagem que registrara em 1929. Pedia então para que Getúlio a autografasse.

Assim, na foto que me chegou às mãos por gentileza do filho de Sioma - Samuel Breitman -, a assinatura de Getúlio vem acompanhada pelas seguintes datas: 1929, 1940, 1942, 1950 e 1952. Em todos esses anos, registraram-se acontecimentos marcantes na biografia do mais controvertido personagem da vida política nacional.

A Sioma Breitman e seu enorme talento, minha modesta homenagem. A Samuel Breitman, fiador do espólio paterno, meu agradecimento e minha admiração, pela generosidade e pela percepção da relevância histórica da obra deixada pelo pai aos brasileiros.

O primeiro tomo de Getúlio trará outras imagens do grande mestre da fotografia. Sioma nasceu na Ucrânia em 1903. Morreu em 1980, aos 76 anos.

3 comentários:

  1. Getúlio, amigo de um fotógrafo judeu? Digo amigo porque essa relação parece ser, de tão longa, no mínimo de franca camaradagem, além do profissional. Mas Getúlio não era um notório antisemita? Perguntas, perguntas...

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  2. Olá, Hemetério. O antissemitismo do regime varguista será um dos temas abordados no volume 2 da trilogia. Aguarde! (Há um excelente trabalho sobre o tema, da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, publicado pela Brasiliense) Grande abraço!

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  3. Getúlio era uma raposa política. A ideia mais provável é que o antissemitismo tenha sido usado por conveniências políticas devido ao crescimento do nazismo na época (que era tido como o provável vencedor da guerra). Portanto não seria propriamente uma visão pessoal, e sim apenas algo como: "Irei aprovar os preceitos do mais provável a vencedor".

    Todavia, vou esperar o parecer legítimo do sr. Lira Neto. =)

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