terça-feira, 29 de julho de 2014

Lula lê Getúlio


Uma das maiores honras que já tive como autor de livros foi a de contar, na quarta capa do segundo volume de "Getúlio", com textos simultâneos de dois ex-presidentes da República: Lula e FHC. 

Às vésperas do terceiro volume da biografia chegar às livrarias, fiz questão de enviar provas do novo livro a ambos, em sinal de agradecimento. Hoje, Lula retribuiu-me o gesto com um convite para o almoço, no Instituto que leva o seu nome, no bairro do Ipiranga, aqui em São Paulo.



Durante a refeição - uma galinhada com baião-de-dois, maxixe e jerimum (e uma boa dose de uma estupenda cachacinha mineira como aperitivo) - conversamos por mais de duas horas sobre Getúlio Vargas. Como ele havia recebido a prova do livro há cerca de uma semana, já estava bastante adiantado na leitura.



Para os que ainda insistem em acreditar que o ex-presidente não lê, cabe aqui a informação: ele não só lê, como é um leitor sofisticado, particularmente quando o tema é política.



As análises e comentários que fez a respeito da obra, durante o almoço, foram agudas e extremamente perspicazes. Traçou analogias históricas, estabeleceu raciocínios precisos sobre determinados protagonistas e achou graça de alguns poucos resenhadores que, em textos publicados na imprensa escrita e na internet, aqui e ali acusaram a obra de "getulista", por um lado; e de "udenista", por outro.

"Ainda hoje, tem muito Carlos Lacerda por aí", comentou, ao final.



Fui obrigado a concordar. 

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula