segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Entrevista ao Correio Braziliense


Podemos dizer que o samba é a expressão mais genuína da música brasileira? Qual o papel do gênero na formação da nossa identidade?
Abomino esse termo, 'identidade', que embute em si uma carga ideológica nada inocente. Toda 'identidade' é construída, fabricada artificialmente, a partir de generalizações que aplainam e excluem a diferença, o dissonante, o desarmônico. Como podemos falar de 'identidade' em um país plural, caleidoscópico, multiétnico, mestiço, como o Brasil? Qual seria, portanto, a 'identidade' brasileira? Getúlio tentou forjar a ideia de uma grande identidade nacional e, em seu projeto, chegou a queimar as bandeiras estaduais e proibir os hinos específicos de cada unidade da federação. Tudo em nome da ideia grandiloquente e farsesca de um Brasil único, unitário, onde as diferenças e as particularidades são abolidas por decreto. O conceito de 'identidade cultural' é autoritário, arrogante, higienista.
(Trecho da entrevista que concedi à jornalista Nahima Maciel, do Correio Braziliense)

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