domingo, 11 de junho de 2017

A ciência cabocla dos profetas da chuva













Ele tem 78 anos e a pele tostada de sol. No registro do cartório, deram-lhe o nome de Francisco Quintino dos Santos. Desde criança, por causa da labuta cotidiana com o gado, todos do lugar o conhecem mesmo como Chico Leiteiro. Muitos dali preferem, contudo, com sincera deferência, tratá-lo pela qualificação de "profeta".

O termo, nesse caso, contrasta com o semblante sereno daquele homem pequenino, de sorriso fácil e candura agreste. Nada nele lembra a imagem estereotipada dos místicos sertanejos e dos antigos videntes das Escrituras, a barba desgrenhada, as longas madeixas sobre os ombros, os olhos esbugalhados voltados para o inefável, a túnica amarrada à cintura por uma corda.

Chico Leiteiro veste-se como qualquer sertanejo de Quixadá, cidade do interior cearense, a 167 quilômetros de Fortaleza: chapéu de palha à cabeça, chinelo de couro nos pés, camiseta branca de algodão, calças de tecido barato. "Desde que eu tinha dez anos de idade, o pessoal já me chamava de profeta", diz. "Ainda era menino quando aprendi, com meu pai, a ler no grande livro da natureza."

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 11/06/2017.
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