domingo, 30 de abril de 2017

A segunda morte de Mário de Andrade



Muita gente fez cara de nojo. Como as autoridades permitiriam tamanho disparate? De quem teria partido a ideia de profanar o palco do Theatro Municipal de São Paulo –templo sagrado da cultura erudita, símbolo dos anseios cosmopolitas da mais alta sociedade paulistana–, permitindo a apresentação de um reles sambista, animador de gafieiras e cabarés do Rio de Janeiro?

Choveram protestos contra a presumida infâmia. José Barbosa da Silva, o Sinhô, coroado Rei do Samba pela imprensa carioca, iria protagonizar, de violão em punho, noitada musical em uma das principais casas de espetáculos do país, construção luxuosíssima, inspirada na Ópera de Paris e erigida com recursos provenientes das algibeiras dos barões do café.

Era maio de 1929. Enquanto a aristocracia e setores da intelectualidade conservadora esbravejavam, o escritor modernista Mário de Andrade, na coluna "Táxi", no "Diário Nacional", sentenciava, com a autoridade de agudo estudioso dos saberes populares: "Sinhô é poeta e músico". 

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Texto publicado na Folha de S. Folha, em 30/4/2017.
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