domingo, 9 de julho de 2017

A TV tradicional está com os dias contados











Peguei-me indagando, à minha filha de oito anos, em que horário e em qual emissora vai ao ar determinado desenho animado, a que havíamos assistido juntos, dias antes, e que me surpreendera pela estética um tanto quanto psicodélica e pelo desconcertante nonsense da narrativa. Achara aquilo estranhamente engraçado e desejava conferir novos episódios. Ela olhou-me intrigada, como se não houvesse entendido o próprio sentido da pergunta. "Como assim, em que horário vai ao ar, pai? E, como assim, em qual emissora?", devolveu-me.

Caí em mim. Para minhas duas filhas menores, a televisão representa algo absolutamente diferente daquilo que, um dia, representou para as crianças de minha geração. Nascidas na era das transmissões em "streaming" e dos serviços "on demand", elas não compreendem a lógica jurássica de o espectador ter de se submeter, passivamente, às grades de programação impostas pelos canais X, Y ou Z.

Seletivas, montam o próprio cardápio de filmes, vídeos, séries, desenhos e clipes musicais, a partir de variadas fontes, para assisti-los na hora em que bem desejarem, dentro dos limites de seu tempo livre. E fazem isso recorrendo às mais diversas plataformas, seja na tela grande do aparelho da sala de estar ou nas telinhas dos tablets e celulares. Para minhas meninas, o formato engessado das emissoras tradicionais de TV e mesmo dos canais das operadoras por assinatura não fazem o mínimo sentido.

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 09/07/2017.
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