domingo, 23 de julho de 2017

Breves considerações sobre a não-ficção


É comum leitores me abordarem, presencialmente, por e-mail ou mesmo por comentários em redes sociais, pedindo "dicas" de como escrever um livro de não ficção. Em geral, fico embaraçado, sem ter o que responder.

Quando insistem, gaguejo, mudo de assunto, eventualmente me faço de surdo, no máximo solto duas ou três platitudes. Temo, por vezes, parecer arrogante, mal-educado ou mesquinho, receio aparentar estar escondendo o ouro por algum suposto tipo de avareza profissional.

Não se trata disso. Apenas acredito que não existam fórmulas prontas, receitas pré-fabricadas, esquemas infalíveis para se arquitetar uma narrativa biográfica, por exemplo.

Como jornalista, costumo dizer que meu método de trabalho é essencialmente o do repórter. Escrever livros de não ficção, para mim, é exercer a reportagem em sua plenitude, alforriado do duplo grilhão que incide sobre a prática do jornalismo cotidiano: o sufoco do tempo e a coerção do espaço.

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 23/07/2017.
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