domingo, 20 de agosto de 2017

Contra o fanatismo



São apenas 136 páginas, o que pode fazer com que o pequeno volume passe despercebido, em meio à gôndola da livraria, ao olhar mais desatento. Colocada na prateleira, ladeada por outros lançamentos, a publicação também chama pouca atenção devido à lombada fina, de apenas um centímetro de largura.
A despeito disso, trata-se de um grande livro. Grande e necessário, deve-se realçar.

No momento em que assistimos, estarrecidos, às cenas de ódio racial em Charlottesville; no instante em que testemunhamos, envergonhados, um imigrante sírio vendedor de esfirras ser hostilizado por um brasileiro armado de pau em Copacabana; em um tempo no qual se vociferam, sem pudores, agressões e preconceitos nas redes sociais e nas caixas de comentários da internet; a leitura de "Mais de uma Luz: Fanatismo, Fé e Convivência no Século 21", de Amós Oz, torna-se imprescindível.

São três breves ensaios, escritos por um dos mais brilhantes e influentes escritores contemporâneos. No primeiro deles, Oz enfileira uma série de instigantes reflexões a respeito da intolerância tão presente em nossos dias. "O fanático nunca entra em um debate. Se ele considera que algo é ruim, seu dever é liquidar imediatamente aquela abominação", escreve o autor. "Todos os tipos de fanáticos tendem a viver num mundo em preto e branco. Num faroeste simplista de mocinhos contra bandidos. O fanático é na verdade um homem que só sabe contar até 1."

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 20/08/2017.
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