domingo, 14 de maio de 2017

Demarcação, já!













Na pequena clareira no meio da selva, minha filha Alice, 7 anos, observava com atenção as palavras e gestos de Irê-miri, o índio tukano que nos servia de guia na trilha pela floresta amazônica.

Minutos antes, a bordo do navio que nos transportava pelas águas caudalosas do rio Negro, Alice apontara para o arco e flecha emoldurados na parede da cabine. Curiosa, indagara: "Pai, como os índios conseguem fazer coisas assim?". Parecia extasiada diante da beleza do artefato. Ao mesmo tempo, nascida na era dos celulares e tablets, mostrava-se intrigada com a perfeição de um instrumento produzido sem ajuda da alta tecnologia.

A certa altura da excursão mata adentro, como se tivesse conhecimento prévio da pergunta de minha filha, Irê-miri estancou o passo. De modo aparentemente aleatório, recolheu alguns gravetos, removeu pequenos cipós das árvores que nos rodeavam e, diante dos olhos cintilantes de Alice, confeccionou um arco e flecha. Mostrou então como o utensílio funcionava, numa breve demonstração de tiro ao alvo. Em seguida, convidou os integrantes do grupo que o acompanhava a fazer o mesmo.

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 14/05/2017.
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