domingo, 25 de junho de 2017

Enquanto outro tempo não vem



É desolador. Como se não bastassem as crises moral, política e econômica que nos assolam e nos azucrinam há tanto tempo – e todas elas sem sinal de bom termo à vista –, parece também vivermos em um período de curto-circuito das sensibilidades, um certo apagão cultural, algum deficit coletivo de inteligência, uma incapacidade geral de interpretação de textos.

O Ministério da Educação, com apoio de pais desavisados e políticos oportunistas, mandou recolher das estantes das escolas públicas do país uma obra de literatura infantil inspirada nos gêneros narrativos populares, sob a acusação escalafobética de que ela seria "inadequada" à leitura das crianças por fazer, supostamente, a apologia do incesto.

A obra literária que caiu no Index Prohibitorum do Ministério da Educação é "Enquanto o Sono Não Vem", de José Mauro Brant, uma sensível e bem urdida seleta de recontos livremente baseados na tradição oral brasileira.

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 25/06/2017.
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