domingo, 29 de outubro de 2017

Eticamente incorretos



Eles não são apenas politicamente incorretos, são também intelectualmente desonestos, eticamente deploráveis.

Meses atrás, fui abordado por um certo Matheus Ruas, diretor e roteirista da produtora Fly, que me disse estar "produzindo um especial sobre história do Brasil" para o History Channel. Queria colher meu depoimento sobre temas relacionados aos livros que escrevi.

Solícito com repórteres e documentaristas que me procuram, disse que poderia recebê-lo dali a alguns dias, em minha casa, para conceder-lhe a entrevista. Após uma troca de e-mails, combinamos a data. Mal podia imaginar que, com isso, estava caindo em sórdida arapuca.

Recebi Matheus na sala de casa. Sem me dar conta, abria gentilmente a porta para uma das situações mais constrangedoras de minha trajetória pessoal e profissional. Mas, isso, só constataria meses depois.

Naquele momento, apenas estranhei a forma com que o entrevistador me pediu para responder às questões: "Nosso público-alvo é alguém com a inteligência do Homer Simpson", explicitou, referindo-se ao personagem abobalhado de desenho animado, símbolo da idiotia. "Responda como se estivesse falando para ele", pediu-me.

[...]

Texto publicado na Folha de S. Paulo em 29/10/2017.
Para ler na íntegra, clique aqui.