domingo, 17 de setembro de 2017

"Queermuseu" confirma cenário de obscurantismo



Não houve incitação à pedofilia, incentivo à zoofilia. O que houve foi histeria, alimentada por doses inacreditáveis de preconceito, desinformação, moralismo, ignorância e má-fé. O que houve, também, foi a mais nítida demonstração de pusilanimidade por parte do Santander Cultural, que se rendeu ao barulho e aos faniquitos da turba e, por meio de nota xucra, endossou o atestado de retrocesso coletivo.

O cancelamento da exposição "Queermuseu", em Porto Alegre, passará à história como mais um episódio a confirmar o atual cenário de obscurantismo no país. O Santander, que dizia apoiar a diversidade, dobrou-se à intolerância. O marketing pretensamente arejado não resistiu à tática do grito.

Eram obras em geral já conhecidas, algumas delas circulando em galerias e museus há dezenas de anos, incluindo trabalhos de Volpi, Portinari, Leonilson, Flávio de Carvalho e Lygia Clark. Postas em conjunto pela curadoria para ilustrar a presença da diversidade sexual nas artes nacionais, foram tratadas como objeto de escarcéu.

Difícil apontar o mais constrangedor em toda a celeuma: ativistas jovens escandalizados diante de imagens sexuais, a mais tosca carolice manobrando o instinto de manada que tomou conta das redes ou um centro cultural emitir nota ao público argumentando que a arte "perde seu propósito" quando não gera "reflexão positiva".

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Texto publicado na Folha de S. Paulo em 17/09/2017.
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