domingo, 12 de novembro de 2017

Um livreiro na contramão do mercado



Jamais caia na bobagem de perguntar ao livreiro Lúcio Zaccara se ele tem, nas prateleiras da loja, qualquer um dos badalados romances de Elena Ferrante à venda. "Não trabalho com esse tipo de literatura", será a resposta. Menos aconselhável ainda é indagá-lo sobre obras do tipo "50 Tons de Cinza", manuais de autoajuda ou autobiografias de youtubers. "Só vendo aquilo que posso recomendar, sem constrangimentos, ao leitor."

Esse senhor alto, magro e vivaz, de insuspeitados 60 anos, também é avesso a promoções e jogadas de marketing. Por isso, nunca fez qualquer tipo de propaganda do seu negócio. Mantém uma discrição quase monástica. "Não quero atrair gente que sairá decepcionada por não encontrar o best-seller da moda", justifica. "Quem está acostumado a entrar aqui já sabe que topará apenas com livros de qualidade."

Divulgadores não conseguem convencê-lo a afixar banners de vinil relativos a eventos literários. Ele aceita apenas cartazes em papel, que considera mais elegantes e amigáveis. De preferência, mandados confeccionar por ele próprio e assinados por artistas gráficos de renome.

Não permite, igualmente, pilhas de um mesmo lançamento na vitrine ou no interior da loja. Ali não é supermercado para ter gôndola, parece sugerir, criticando a prática das grandes redes alugarem espaços para editoras.

[...]

Texto publicado na Folha de S. Paulo em 12/11/2017.
Para ler na íntegra, clique aqui.