quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"Getúlio" ganha prêmio da APCA


O ano termina com mais uma boa nova: o terceiro volume de Getúlio ganhou o prêmio da prestigiada Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), eleito a melhor biografia publicada no país em 2014.

O livro já havia obtido o primeiro lugar do Prêmio Jabuti, também na categoria biografia.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Duas leituras, duas interpretações


De um lado, o tucano Alberto Goldman, no site do PSDB. De outro, Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula, no blog que mantém no R7. 
Ambos terminaram de ler o terceiro e último volume da biografia Getúlio. Cada um, a seu modo, e sob perspectiva específica, compara a crise de 1954 com os cenários contemporâneos da vida política nacional. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Em nome de Vlado; ditadura, nunca mais


O Fórum das Letras, que se encerrou ontem em Ouro Preto, me trouxe uma série de emoções, reflexões e alegrias simultâneas. Um desses momentos especiais ocorreu exatamente quando tive a honra de dividir um painel do Ciclo de Jornalismo com três mestres do ofício: Audálio Dantas, Ricardo Kotscho e Paulo Markun.

Sou um pouco mais novo que eles e, além disso, ingressei na profissão muito tarde, por volta dos 30 anos de idade. Por esse motivo, bem antes de me tornar também repórter, já tinha Audálio, Kotscho e Markun como referências essenciais na arte da reportagem.

O fato é que, durante cinco dias, alternei perambulações pelas ruas estreitas e sinuosas da velha Ouro Preto – admirando o casario colonial e mergulhando na quantidade de história que existe ali, pulsando, em cada esquina – com as mesas-redondas e palestras da programação oficial do evento.

Para mim, contudo, um dos instantes mais tocantes do Fórum das Letras foi poder assistir, da plateia, ao painel em que Audálio, Kotscho e Markun, ao lado do cineasta João Batista de Andrade (O homem que virou suco, Doramundo e O país dos tenentes, entre tantos outros), desfiaram suas lembranças sobre Vladimir Herzog, o Vlado, personagem com quem conviveram e de quem foram amigos.

João Batista emocionou-se ao narrar episódios vividos ao lado de Vlado, morto numa cela do DOI-CODI. Markun, por sua vez, relembrou os dias tormentosos que, naquela mesma época, ele próprio experimentou, junto com a esposa, a também jornalista Dilea Frate, ambos submetidos a terríveis sessões de tortura.

Apesar dos horrores que sofreu, Paulo Markun nunca trilhou o caminho fácil da vitimização e da autopiedade. Diante de um auditório composto essencialmente por universitários, coube a Kotscho informar à jovem audiência que Markun e Dilea, quando presos e torturados, foram obrigados a deixar em casa uma filhinha de apenas seis meses de vida.

Em sua participação, Audálio lamentou que, exatamente naquele mesmo dia em que ele, Markun, Kotscho e João Batista estavam ali, em Ouro Preto, homenageando Vladimir Herzog, uma manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, estivesse pedindo a volta da ditadura e dos militares ao poder.

Foi quando Markun ponderou que, graças à democracia, regime pelo qual os quatro componentes do referido painel tanto lutaram, os manifestantes paulistas podiam ir agora às ruas para, por perversa ironia – e por suprema ignorância histórica, acrescento eu –, gritar palavras de ordem e erguer cartazes contra esta mesma ainda tenra e preciosa democracia.

Mais tarde, enquanto todos jantávamos, agora dividindo uma mesa no restaurante simpático sugerido por Guiomar de Grammont – a incansável e gentil idealizadora do Fórum das Letras –, fiquei por um minuto olhando para aqueles quatro cavalheiros que, juntos, representam uma parte significativa da história recente do jornalismo e da cultura de nosso país.

A conversa, inevitavelmente, derivou em certo instante para o cenário político contemporâneo. João Batista de Andrade, sabe-se, apoiou Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais. Kotscho e Audálio, ao contrário, votaram em Dilma. A despeito das respectivas opções eleitorais, o grupo comungava da mesma civilidade e do mesmo respeito às eventuais divergências.

Em um ponto, particularmente, todos eles eram unânimes. Há que se respeitar a vontade soberana das urnas. Há que se comemorar a possibilidade de hoje, manifestarmos livremente ocasionais discordâncias. Há que se cuidar, com atenção, vigilância e afinco, da nossa democracia, tão duramente conquistada e construída.

Ditadura, nunca mais. Por Vlado. Por nós. Por nossos filhos. Pelo Brasil.