terça-feira, 29 de julho de 2014

Lula lê Getúlio



Uma das maiores honras que já tive como autor de livros foi a de contar, na quarta capa do segundo volume de "Getúlio", com textos simultâneos de dois ex-presidentes da República: Lula e FHC. 

Às vésperas do terceiro volume da biografia chegar às livrarias, fiz questão de enviar provas do novo livro a ambos, em sinal de agradecimento. Hoje, Lula retribuiu-me o gesto com um convite para o almoço, no Instituto que leva o seu nome, no bairro do Ipiranga, aqui em São Paulo.

Durante a refeição - uma galinhada com baião-de-dois, maxixe e jerimum (e uma boa dose de uma estupenda cachacinha mineira como aperitivo) - conversamos por mais de duas horas sobre Getúlio Vargas. Como ele havia recebido a prova do livro há cerca de uma semana, já estava bastante adiantado na leitura.

Para os que ainda insistem em acreditar que o ex-presidente não lê, cabe aqui a informação: ele não só lê, como é um leitor sofisticado, particularmente quando o tema é política.

As análises e comentários que fez a respeito da obra, durante o almoço, foram agudas e extremamente perspicazes. Traçou analogias históricas, estabeleceu raciocínios precisos sobre determinados protagonistas e achou graça de alguns poucos resenhadores que, em textos publicados na imprensa escrita e na internet, aqui e ali acusaram a obra de "getulista", por um lado; e de "udenista", por outro.

"Ainda hoje, tem muito Carlos Lacerda por aí", comentou, ao final.

Fui obrigado a concordar. 


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Do prazer como método de trabalho




Alguns amigos dizem que devo ter certa compulsão pelo trabalho. Desde a publicação de Castello: A marcha para a ditadura, em 2004, tenho emendado um livro no outro, quase sem intervalos para descanso. 

Pois bem. Ontem, almocei com Luiz Schwarcz e Otávio Costa, respectivamente publisher e editor da Companhia das Letras, para brindarmos a entrega dos originais do terceiro e último volume da biografia Getúlio, a ser lançado em agosto.

Havia me programado para, durante os próximos dois meses, curtir merecidas férias, depois de cinco anos escarafunchando a vida do homem que mais tempo passou à frente do poder republicano no país.

Até o lançamento do tomo 3 de Getúlio, portanto, pretendia não fazer mais nada além de vestir minha camiseta amarela e torcer pela Seleção na Copa do Mundo.  

Mas, no agradabilíssimo encontro com Luiz e Otávio, entre uma taça de vinho e outra, conversa vai, conversa vem, lá estava eu transformando um almoço de comemoração em reunião de trabalho.

Acertamos, na ocasião, os primeiros detalhes de meu próximo livro, cujo tema ainda é segredo. Hoje, ao acordar, comecei a traçar planos para o novo projeto. E compreendi que não, não tenho compulsão pelo trabalho coisa nenhuma.

Apenas tenho o raro privilégio de me dedicar a um ofício que me dá, acima de tudo, imenso prazer e entusiasmo.